Créditos de CBS e IBS: por que controlar documentos fiscais passará a valer milhões

Créditos de CBS e IBS: por que controlar documentos fiscais passará a valer milhões

Durante muitos anos, a gestão dos documentos fiscais foi vista por muitas empresas apenas como uma obrigação administrativa.

Notas fiscais eram arquivadas para atender exigências legais, cumprir fiscalizações ou servir de suporte para a contabilidade.

Com a Reforma Tributária, essa realidade muda completamente.

No novo modelo, cada documento fiscal poderá representar dinheiro recuperável.

Em outras palavras, uma nota fiscal corretamente emitida, recebida e escriturada poderá gerar créditos que reduzirão o valor dos tributos a pagar.

Por outro lado, erros cadastrais, documentos inconsistentes ou processos internos deficientes poderão significar perdas financeiras permanentes.

A gestão documental deixa de ser uma rotina burocrática e passa a ser uma atividade estratégica.


O princípio da não cumulatividade plena

A CBS e o IBS foram concebidos para funcionar com um sistema amplo de créditos tributários.

Isso significa que, de forma geral, os tributos pagos nas etapas anteriores da cadeia produtiva poderão ser aproveitados como crédito na etapa seguinte.

Na prática, cada empresa recolherá imposto apenas sobre o valor que efetivamente agregou ao produto ou serviço.

Esse mecanismo reduz o efeito cascata existente em diversos tributos do sistema atual.

Quanto maior a qualidade da gestão dos créditos, menor tende a ser a carga tributária efetiva da empresa.


O crédito passa a fazer parte do fluxo de caixa

Tradicionalmente, muitas empresas tratavam os créditos tributários apenas como um ajuste fiscal.

Na nova sistemática, eles passam a influenciar diretamente o caixa.

Imagine uma empresa que realiza dezenas ou centenas de compras diariamente.

Cada nota fiscal poderá representar um crédito tributário.

Se esses créditos forem corretamente apropriados, o valor dos tributos a recolher será reduzido.

Caso contrário, a empresa desembolsará mais recursos do que deveria.

Assim, uma falha operacional deixa de ser apenas um problema fiscal e passa a comprometer o capital de giro.


A qualidade da documentação será determinante

Não basta que a compra tenha sido realizada.

Para que o crédito seja reconhecido, será fundamental que toda a documentação esteja correta.

Isso inclui, entre outros aspectos:

  • cadastro atualizado de fornecedores;
  • correta classificação fiscal dos produtos e serviços;
  • documentos emitidos sem erros;
  • escrituração realizada dentro dos prazos legais;
  • conciliação entre documentos fiscais, pedidos de compra e recebimentos.

Pequenos erros que hoje muitas vezes passam despercebidos poderão impedir o aproveitamento de créditos relevantes.


Compras mal documentadas poderão gerar perdas permanentes

Considere uma empresa que realiza milhares de aquisições ao longo do ano.

Se apenas uma pequena parcela dessas notas apresentar inconsistências que impeçam o aproveitamento dos créditos, o impacto financeiro poderá ser significativo.

Essas perdas normalmente não aparecem como uma despesa explícita.

Elas surgem na forma de impostos pagos além do necessário.

Por isso, muitas organizações sequer percebem quanto dinheiro deixam de recuperar.

Na Reforma Tributária, esse tipo de desperdício tende a ganhar muito mais relevância.


O papel da integração entre as áreas

A gestão eficiente dos créditos não dependerá apenas do departamento fiscal.

Ela exigirá integração entre diversas áreas da empresa.

Entre elas:

  • Compras;
  • Recebimento de mercadorias;
  • Almoxarifado;
  • Produção;
  • Financeiro;
  • Fiscal;
  • Contabilidade;
  • Tecnologia da Informação.

Cada etapa do processo influencia a qualidade das informações que servirão de base para o aproveitamento dos créditos.

Uma falha em qualquer ponto poderá comprometer toda a cadeia.


Tecnologia deixará de ser diferencial para se tornar necessidade

O volume de documentos fiscais processados diariamente torna praticamente impossível realizar conferências manuais com segurança.

Por isso, soluções tecnológicas ganharão importância crescente.

Empresas deverão investir em ferramentas capazes de:

  • validar documentos automaticamente;
  • identificar inconsistências cadastrais;
  • conciliar notas fiscais com pedidos de compra;
  • acompanhar créditos apropriados;
  • monitorar pendências em tempo real;
  • integrar informações entre ERP, compras, estoque e contabilidade.

Mais do que automatizar processos, essas ferramentas contribuirão para preservar recursos financeiros.


O relacionamento com fornecedores também mudará

A qualidade dos documentos emitidos pelos fornecedores passará a impactar diretamente os créditos do comprador.

Isso exigirá uma relação mais próxima entre as empresas.

Será cada vez mais importante:

  • homologar fornecedores;
  • revisar cadastros periodicamente;
  • estabelecer padrões para emissão de documentos fiscais;
  • comunicar rapidamente eventuais inconsistências.

Fornecedores que emitirem documentos com frequência contendo erros poderão representar custos ocultos para seus clientes.


Auditoria preventiva ganhará protagonismo

Em vez de identificar problemas apenas durante uma fiscalização, muitas empresas passarão a realizar auditorias preventivas de forma contínua.

O objetivo será detectar falhas antes que os créditos sejam perdidos.

Entre os principais pontos de verificação estarão:

  • documentos rejeitados;
  • divergências cadastrais;
  • créditos não apropriados;
  • inconsistências fiscais;
  • falhas na integração dos sistemas;
  • diferenças entre compras realizadas e documentos recebidos.

Esse acompanhamento periódico poderá gerar economias expressivas ao longo do tempo.


O contador deixa de atuar apenas na apuração dos tributos

A Reforma Tributária amplia significativamente o papel da contabilidade.

Além de calcular impostos, os profissionais da área deverão atuar de forma cada vez mais estratégica.

Entre suas novas atribuições destacam-se:

  • orientar processos internos;
  • apoiar a implantação de controles;
  • identificar oportunidades de recuperação de créditos;
  • acompanhar indicadores fiscais;
  • auxiliar na escolha de sistemas;
  • participar das decisões de gestão tributária.

A contabilidade passa a contribuir diretamente para a competitividade da empresa.


Conclusão

A Reforma Tributária transforma os créditos de CBS e IBS em um dos principais ativos financeiros das empresas.

Cada documento fiscal corretamente processado poderá representar redução da carga tributária e preservação do fluxo de caixa.

Mais do que cumprir obrigações acessórias, será necessário construir processos sólidos, investir em tecnologia e integrar todas as áreas envolvidas nas compras, no recebimento e na gestão fiscal.

As empresas que compreenderem essa mudança antes da concorrência estarão mais preparadas para operar em um ambiente tributário mais digital, transparente e orientado por dados.


Dica prática do Meu Contador Prime

Aproveite o período de transição da Reforma Tributária para realizar um diagnóstico da maturidade dos seus processos fiscais. Revise cadastros, avalie a qualidade dos documentos recebidos, integre os setores de Compras, Fiscal e Financeiro e identifique oportunidades de automação. O custo dessa preparação é, na maioria dos casos, muito menor do que as perdas decorrentes de créditos tributários não aproveitados.


Próximo artigo da série

Artigo 6 – Como a Reforma Tributária afetará o fluxo de caixa das empresas: muito além do Split Payment

Neste artigo, analisaremos por que o impacto financeiro da Reforma Tributária vai além do Split Payment, abordando os efeitos dos novos prazos de recolhimento, da recuperação de créditos, da gestão do capital de giro e do planejamento financeiro das empresas.

Compartilhe